O papel da Doula na Humanização do Parto

25 04 2011

Existe uma iniciativa do governo federal, divulgada no final do mês de março, para investir 9,4 bi para humanização do atendimento à gestante e ao bebê. Veja aqui

Na cartilha do ministério da saúde, existem muitas diretrizes para a humanização da assistência ao parto, apesar de muitas delas não serem seguidas. Para ler, clique aqui

Então, cabe a quem, exigir que os direitos de uma assistência ao parto sejam cumpridos?

Primeiro, tem que partir da mulher.

Como já disse, quem não sabe pra onde ir, qualquer caminho serve.

E qualquer caminho, significa o modo como eu filho vai chegar ao mundo.

Então é muito importante se informar e fazer garantir seus direitos.

Mas por onde começar?

Uma doula pode ajudar e muito, na busca por informações.

Pode te ajudar a lembrar das escolhas feitas no auge do trabalho de parto, te encorajar a continuar.

Pode te ajudar a ter sucesso na amamentação.

Na própria cartilha do Ministério da Saúde, há um capítulo inteiro sobre as doulas, conforme transcrito abaixo:

Acompanhamento no parto (doula)

Além do acompanhamento pelo parente ou companheiro, existe também o acompanhamento per outra pessoa, com ou sem treinamento específico para isto, a doula. Ela presta constante apoio a gestante e seu companheiro/acompanhante durante o trabalho de parto, encorajando, aconselhando medidas para seu conforto, proporcionando e orientando contato físico e explicando sobre o progresso do trabalho de parto e procedimentos obstétricos que devem ser realizados.

Diversos ensaios clínicos aleatorizados sugerem que o acompanhamento da parturiente pela doula reduz a duração do trabalho de parto, o use de medicações para alívio da dor e o número de partos operatórios. Alguns estudos também mostram a redução do número de cesáreas.

Além destas vantagens, também é observado que os grupos de parturientes acompanhadas durante o parto pela doula têm menos depressão pós-parto e amamentam seus recém-nascidos nas primeiras seis semanas de vida em maior proporção que as parturientes dos grupos de controle.

A presença de uma pessoa treinada para acompanhamento do trabalho de parto não e cara e não requer infra-estrutura ou aparelhagem especifica. Evidentemente, também não tem qualquer contra-indicação. O treinamento pode ser feito tanto entre o próprio pessoal profissional das maternidades, como entre indivíduos da comunidade. A opção por qualquer uma destas alternativas deve depender, pelo menos por enquanto, da disponibilidade e estratégia adotada localmente.

Recentemente, uma revisão sistemática sobre a prática de um suporte social contínuo, incluindo conselhos e informações, assistência e apoio emocional, durante todo o trabalho de parto, fornecido às mulheres por profissionais de saúde ou pessoas leigas, comparativamente a uma assistência padrão sem estas características, concluiu que este tipo de apoio parece ter vários benefícios para as mães e seus recém nascidos, sem nenhum efeito danoso. Tal apoio emocional pressupõe, entre ambos envolvidos, a presença, o escutar, o dar segurança e afirmação.

Avaliando 14 ensaios clínicos envolvendo mais de 5 mil mulheres de países tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento, esta intervenção esteve associada à redução da necessidade de medicação para alívio da dor, do parto vaginal operatório, da cesárea e do depressão neonatal, além de uma leve redução na duração do trabalho de parto. Quando os estudos avaliaram os efeitos desta intervenção sobre a vivência das mulheres quanto ao nascimento, todos os resultados foram favoráveis ao grupo recebendo este apoio contínuo. As pessoas fornecendo este tipo de apoio eram todas mulheres e com experiência seja porque tinham já dado à luz ou tido treinamento como enfermeiras, obstetrizes, doulas ou educadoras em saúde.

Apesar de sugerirem também um efeito benéfico a longo prazo sobre a saúde física e psicossocial das mulheres e sobre o aleitamento materno, as evidências não são definitivas a este respeito. Não se conhece também ainda qual profissional ou leigo teria melhor desempenho exercendo esta intervenção, nem seu efeito a longo prazo sobre a saúde dos recém-nascidos.

Dessa forma, dados os inequívocos benefícios e a ausência de riscos associados ao apoio contínuo durante o trabalho de parto, todos os esforços deveriam ser feitos no sentido de garantir que toda mulher em trabalho de parto o recebesse. Ele deveria incluir a presença contínua da pessoa escolhida para acompanhá-la, capaz de transmitir-lhe conforto e encorajamento. Éevidente que em algumas circunstâncias isto poderia significar a necessidade de alterar as atribuições de profissionais como enfermeiras e obstetrizes; de programas de educação continuada para o ensino e prática destas atividades; de modificações na estruturação e composição da equipe profissional das unidades que assistem às mulheres em trabalho de parto; e da adoção de políticos institucionais que permitissem e estimulassem a presença de pessoas leigas experientes ao lado das parturientes.

Em que pesem todas as experiências recentes, tanto internacionais como brasileiras, de estímulo ao parto domiciliar (por opção e não por falta dela) nas situações de gestação de baixo risco, não existe ainda nenhuma evidência científica demonstrando qualquer claro benefício sobre a saúde da mulher ou do recém-nascido desta intervenção, com relação ao parto institucional.

É sabido, porém, que o apoio social em casa, para as gestantes socialmente desfavorecidas, comparativamente à ausência deste apoio, associa-se com melhores resultados da saúde da criança e sobre a experiência vivida. Não se sabe, contudo, se a concomitância destas intervenções para o mesmo grupo de mulheres possa ter um efeito benéfico aditivo.

Atribuições da *doula  treinada

A *doula treinada, além do apoio emocional, deve fornecer informações à parturiente sobre todo o desenrolar do trabalho de parto e parto, intervenções e procedimentos necessários, para que a mulher possa participar de fato das decisões acerca das condutas a serem tomadas durante este período. Durante o trabalho de parto e parto, a  doula*:

orienta a mulher a assumir a posição que mais lhe agrade durante as contrações;

favorece a manutenção de um ambiente tranqüilo e acolhedor, com silêncio e privacidade;

auxilia na utilização de técnicas respiratórias, massagens e banhos mornos;

orienta a mulher sobre os métodos para o alívio da dor que podem ser utilizados, se necessários;

estimula a participação do marido ou companheiro em todo o processo; e

apoia e orienta a mulher durante todo o período expulsivo,incluindo a possibilidade da liberdade de escolha quanto à posição a ser adotada.

 

Após o nascimento, a *doula ainda:

informa e orienta a mulher quanto à dequitação e ao clampeamento do cordão;

estimula a colocação do recém-nascido sobre o abdome materno, num contato pele a pele, estimulando o início da sucção ao peito materno e favorecendo o vínculo afetivo mãe-filho; e

posteriormente, informa e orienta também quanto ao início e manutenção do aleitamento materno.

 Todas estas atividades, além de melhorar a vivência experimentada pelas mulheres que dão à luz, parecem ter uma influência direta e positiva sobre a saúde das mulheres e dos recém-nascidos. Devem, portanto, ser estimuladas em todas as situações possíveis. Ao mesmo tempo, tais medidas deveriam ser objeto de estudos detalhados sobre sua efetividade em diferentes contextos, com o objetivo de aumentar o conhecimento real de seus efeitos sobre a saúde.

* aqui substituimos a palavra “acompanhante treinada”  por “doula treinada”,afinal entendemos que o acompanhante é o parceiro, ou alguém da família da parturiente, e a doula, faz parte da equipe escolhida  (ou não) por ela.


Ações

Informação

Uma resposta

22 01 2012
Quanto mais renomado o meio de comunicação, pior a qualidade da matéria. Matéria de merda! « Mulheres Empoderadas

[...] jornalista que não sabe nem o que é uma Doula já que a denomina de ”assistente”, e ainda cita que as mulheres recorrem às [...]

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