Econtro com Gestantes e Pais de Recém-Nascidos

23 01 2012

Reblogged from Movimento de Apoio a Humanização do Parto Sorocaba:

Nosso próximo encontro será nesta 5a feira, dia 26/01 às 20:00.     20:00 às 21:00 – Bate papo com Dr. Rodrigo Zukauskas – Neonatologista. 21:00 às 22:00 – Relato do parto natural hospitalar da Cláudia e Flávio.   Local: Núcleo Lila Moara – Rua Domingos Fernandes, 65 – Trujillo   Pedimos confirmar presença através do email mahpsorocaba@yahoo.com.br     Dúvidas ou outras informações, contato com Gisele pelo telefone 15 96363006 Até lá!   MAHPS - Movimento de Apoio à Humanização do Parto em Sorocaba http://mahpsorocaba.wordpress.com





Quanto mais renomado o meio de comunicação, pior a qualidade da matéria. Matéria de merda!

22 01 2012

Desculpem o baixo palavreado, quem já acompanha o blog há tempos sabe que não uso esse tipo de expressão. Mas não consigo encontrar outra palavra pra expressar a porcaria de matéria que saiu no Estadão desse domingo. Um deserviço à sociedade.

Poderia mostrar as evidências científicas atuais, e aproveitar para fazer uma matéria decente, já que “Parto domiciliar ganha adeptos”, mas apenas baseou-se no que os médicos do CREMESP e da FEBRASGO, que devem ter comprado a matéria, ACHAM. Assim como agem 99% dos obstetras do nosso país. Acham melhor fazer uma cesárea. Acham arriscado um parto normal após cesára. Acham que anestesia é melhor para a mulher não sofrer. Acham que episiotomia é primoridal. Acham. Bando de ignorantes que não se atualizam, não estudam evidências científicas atualizadas.

Ao invés de colocar os dois lados da questão para que os leitores pudessem tirar suas próprias conclusões, publica uma matéria tendenciosa e superficial.

Uma jornalista que não sabe nem o que é uma Doula já que a denomina de ”assistente”, e ainda cita que as mulheres recorrem às parteiras (como se as mulheres não tivessem opção), uma vez que o CREMESP não apoia os obstetras a acompanharem parto domiciliar.

Parteiras, enfermeiras obstetras e obstetrizes são capacitadas e credenciadas a atender partos domiciliares de baixo risco. As mulheres não as procuram por falta de opção. Mas sim como mais uma opção em busca de um parto respeitoso no seio familiar OU hospitalar. Sim, parteiras também assistem partos hospitalares sejam elas parte da equipe do próprio hospital ou contratadas pela própria família.

Doulas não são assistentes da equipe. Doulas são acompanhantes da mulher. São treinadas e capacitadas para fornecer conforto emocional e físico à mulher. E caso a senhora jornalista Nina Martinez não saiba, também existem estudos que comprovam que a presença de uma Doula fornecendo suporte integral durante o período do trabalho de parto, parto e pós parto trazem diversos benefícios à mulher e ao estabelecimento do vínculo mãe-bebê.

Deu-se ao trabalho de entrevistar obstetras renomados e ativistas pela Humanização do Nascimento como a querida Carla Polido e professor Jorge Khun e não aproveitou nada do que ouviu desses profissionais, de forma que pudesse publicar algo imparcial e baseado em evidências e não em achismos.

Pois saiba sra Nina Martinez, que mulheres que optam pelo parto domiciliar, são mulheres informadas. Conhecem mais evidências científicas do que a maioria dos obstetras deste país. São Mulheres Empoderadas que não se deixam enganar pelo sistema, pois estão fora dele. São mulheres que poderiam escrever uma matéria mil vezes melhor que essa, pois conhecem do assunto profundamente.

A resposta a tanta enganação virá das próprias mulheres. Virá em VBACs (partos normais após cesárea), virá em lindos partos domiciliares. Virá no crescente de doulas e obstetrizes ajudando outras mulheres a parir. Agendem as cesáreas desnecessárias e cortem as barrigas das suas mulheres, de suas filhas! Exponham-nas à riscos . Mas não a nós!

 





O Medo….

20 01 2012

O medo está presente em todas as grandes decisões importantes em nossa vida…

Quem nunca sentiu medo que atire a primeira pedra….

Então o medo, é algo normal e presente. O importante é não deixar o medo guiar nossas decisões. O medo não é o melhor conselheiro.

Compartilho com as minhas queridas amigas grávidas e às minhas doulandas,  um poema perfeito, como diria a minha amiga e também doula Regina Carvalho, que é quase uma oração a ser lida em voz alta, quando sentimos o medo crescer.

Nego-me a me submeter ao medo
que me tira a alegria de minha liberdade,
que não me deixa arriscar nada,
que me toma pequeno e mesquinho,
que me amarra,
que não me deixa ser direto e franco,
que me persegue, que ocupa negativamente minha imaginação,
que sempre pinta visões sombrias.

No entanto não quero levantar barricadas por medo
do medo. Eu quero viver, e não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro e não
para encobrir meu medo.

E, quando me calo, quero
fazê-lo por amor
e não por temer as
conseqüências de minhas
palavras.

Não quero acreditar em algo
só pelo medo de
não acreditar. 
Não quero filosofar por medo
que algo possa
atingir-me de perto. 
Não quero dobrar-me só
porque tenho medo
de não ser amável.
Não quero impor algo aos
outros pelo medo
de que possam impor algo a mim;
por medo de errar, não quero
tomar-me inativo.
Não quero fugir de volta para
o velho, o inaceitável,
por medo de não me sentir
seguro no novo.
Não quero fazer-me de
importante porque tenho medo
de que senão poderia ser ignorado.

Por convicção e amor, quero
fazer o que faço e
deixar de fazer o que deixo de fazer.

Do medo quero arrancar o
domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que
existe em mim.

Rudolf Steiner





Estudo: Parto domiciliar tão (*ou mais) seguro que um parto hospitalar

16 01 2012

Fonte: http://www.usatoday.com/news/health/2009-09-03-midwife-home-birth_N.htm
Tradução: Gisele Leal

Ter seu bebê em casa com uma parteira profissional (*registrada) é tão seguro quanto um parto hospitalar tradicional, diz um novo estudo (*nem tão novo assim, foi publicado em 2009).

Na verdade, os partos domiciliares planejados chegam a ter  uma  taxa de complicações menor, de acordo com o estudo publicado no 15 de setembro questão da CMAJ .

Mesmo considerando-se que o estudo foi realizado no Canadá, onde as decisões em relação à obstetrícia são mais aceitas que em outros países, os resultados podem clarear as controvérsias que acontecem nos Estados Unidos e em outros lugares.

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas se opõe a partos domiciliares, assim como certas organizações na Austrália e Nova Zelândia (*e no Brasil). Mais organizações na Alemanha são favoráveis ​​e as províncias canadenses estão migrando a assistência obstétrica para  para parteiras, afirma a principal autora do estudo Patricia Janssen, diretora do programa de Mestrado em Saúde Pública da Universidade de British Columbia .

Janssen, uma enfermeira que tem formação de parteiras, embora não tenha a certificação, disse: “As pessoas que atuam como parteiras independentes não são necessariamente regulamentadas [nos EUA], dependendo em qual Estado está inserido, então não  há uma garantia de que essa parteira teve um nível adequado de formação ou de um diploma certificado ou qualquer coisa assim. E elas não podem ser monitoradas e regulamentada por uma faculdade particular profissional. “

A controvérsia resultou em uma falta de regulamentação clara e requisitos de licenciamento nos Estados Unidos, disse o Dr. Marjorie Greenfield, professor associado de obstetrícia e ginecologia dos Hospitais de Caso University Medical Center, em Cleveland.

De acordo com Greenfield, a Associação Nacional de Parteiras Profissionais Certificadas tem um processo de certificação, mas muitos estados não reconhecem isso. ”Se você é uma mulher que quer ter um parto em casa, como é possível determinar se essa pessoa tem as qualificações adequadas?” ela disse.

Os autores do novo estudo compararam três grupos diferentes de nascimentos planejados em British Columbia desde o início de 2000 até ao final de 2004:

  1. partos domiciliares assistidos por parteiras registradas (parteiras são registrados no Canadá),
  2. partos hospitalares com a presença do mesmo grupo de parteiras registradas
  3. nascimentos hospitalares atendidos por médicos.

Ao todo, o estudo incluiu quase 13.000 nascimentos.

A taxa de mortalidade por 1.000 nascimentos foi de :

0,35 no grupo de parto domiciliar,

0,57 em partos hospitalares assistidos por parteiras, e

0,64 entre aqueles com a presença de médicos, de acordo com o estudo.

Mulheres que deram à luz em casa eram menos propensos a necessidade de intervenções ou ter problemas como laceração do períneo ou hemorragia.

Esses bebês também foram menos propensos a precisar de terapia de oxigênio ou ressuscitação, segundo o estudo.

Os autores reconhecem que “auto-seleção” poderia ter distorcido os resultados do estudo, em que as mulheres que preferem partos em casa tendem a ser mais saudáveis ​​e de outra forma mais apto a ter um parto domiciliar.

Janssen disse que espera que “este artigo irá ter um grande impacto nos EUA” Mas há um definitivo preconceito “estabelecido” contra os partos em casa (*não só lá né gente??). E a questão é uma grande carga emocional, ela diz.

“Não é uma questão política e econômica sobre como controlar onde o parto acontece, mas também uma profunda crença por médicos que não é seguro ter seu bebê em casa”, disse Greenfield. ”Os médicos vêem cada paciente de parto domiciliar, que teve uma complicação, mas não vê a grande maioria que têm lindos e fabulosos bebês em casa que podem amamentar melhor ou têm menos infecções hospitalares. Pode haver benefícios médicos”,  acrescentou.

“Obstetrícia precisa ser regulamentada. Não pode ser sob o radar, porque seria perigoso”, disse Greenfield.”Tem que haver um processo de regulamentação e um processo de licenciamento [para proteger] as mulheres que estão escolhem o parto domiciliar  de qualquer maneira.”

Observações da tradutora:

No Brasil existem as parteiras tradicionais e as parteiras contemporâneas ou urbanas.

As parteiras tradicionais, que são aquelas que aprendem o ofício de geração em geração, e não possuem qualquer formação acadêmica. Normalmente atuam nas regiões mais carentes, onde o sistema de saúde não alcança todas as mulheres. Segundo o Cadastro de Parteiras Tradicionais/GASM e GETEC/SES – 2009/2011, a maioria são de mulheres idosas, que aprenderam a realizar o parto no dia-a-dia ou com outras parteiras. São respeitadas onde residem e apontadas como referência para a saúde de mulheres e crianças da sua comunidade. Geralmente, são lideranças onde moram.

As parteiras contemporâneas ou urbanas são aquelas que se formaram no curso de Enfermagem, e fizeram uma pós graduação em Obstetrícia OU as se graduaram em Obstetrícia (no Brasil este curso é oferecido pela USP e são 04 anos de estudo em período integral). Normalmente iniciam trabalhando em hospital. Assistem partos hospitalares e domiciliares planejados.

Parteiras contemporâneas que assistem partos domiciliares planejados no Brasil, em geral, usam como primeiro critério para aceitar assistir um parto domiciliar: parto domiciliar é parto de baixo risco. Gestantes com patologias ou riscos assosciados, como diabetes ou pressão alta, são orientadas a buscar sim o seu parto natural, inclusive com parteira e doula, porém no âmbito hospitalar.

Obesidade, sedentarismo, hábitos pouco saudáveis não são contra-indicação para um parto domiciliar planejado, desde que não haja patologias associadas e desde que a mulher e sem companheiro conscientemente informados e empoderados desejem que o nascimento de seu bebê aconteça em âmbito familiar.

Segundo publicou em sua coluna no Guia do Bebê a Dra. Melania Amorim, “uma revisão sistemática recente encontra-se disponível na Biblioteca Cochrane com o título de “Midwife-led versus other models of care for childbearing women” [http://www.cochrane.org/reviews/en/ab004667.html]. Esta revisão demonstra que um modelo de cuidado com parteiras associa-se com vários benefícios para mães e bebês, sem efeitos adversos identificáveis. Os principais benefícios são redução de analgesia de parto, menor número de episiotomias e partos instrumentais, maior chance de a mulher ser atendida durante o parto por uma parteira já conhecida, maior sensação de manter o controle durante o trabalho de parto, maior chance de ter um parto vaginal espontâneo e de iniciar o aleitamento materno. A revisão conclui que se deveria oferecer à maioria das mulheres (gestantes de baixo-risco) a opção de ter gravidez e parto assistidos por parteiras.

Para completar, a Organização Mundial de Saúde deixa claro em seu guia Prático: Maternidade Segura – Assistência ao Parto Normal de 1996, que “pode-se afirmar com segurança que uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura e no nível mais periférico onde a assistência for viável e segura. No caso de uma gestante de baixo risco, este local pode ser a sua casa, um centro de parto de pequeno porte ou talvez a maternidade de um hospital de maior porte. Entretanto, deve ser um local onde toda a atenção e cuidados estejam concentrados em suas necessidades e segurança, o mais perto possível de sua casa e de sua própria cultura.”

Quer saber mais? Acesse o site das parteiras contemporâneas Priscila Colacioppo e Márcia Koifman

:) )





E se passar da hora???? O|O

10 01 2012

Recebo muitos, muitos emails sobre esse assunto.

E se passar da hora? O bebê vai fazer cocô na barriga?

Eu não pude ter parto normal porque passou da hora….

Passou da hora e eu não dilatei…

Eu não tinha dilatação nenhuma, então para não passar da hora, o doutor operou.

E assim vai…

Então, resolvi escrever no blog, porque pode ajudar outras mulheres.

Primeiro. O que é passar da hora?

Embora não pareça, isso é muito subjetivo.

Passar da hora para alguns obstetras é passar de 37 semanas. Sim, é triste mas é verdade. Recentemente saiu uma matéria na Folha onde há obstetras que acham as mais absurdas justificativas para se fazer uma cesárea com 35 semanas.

Mas vamos dizer que não seja esse o caso. Que seu obstetra tenha tido a paciência (e a decência) de esperar sua gestação chegar até pelo menos 40 semanas.

Então quer dizer, que com 40 semanas e um dia, você e seu bebê estarão correndo um risco tremendo se ele continuar dentro do seu útero?

Ohhh natureza imperfeita essa não?

Como assim, mantém um frágil e inocente bebê preso na escuridão do misterioso útero materno?

Deus é injusto! Como podem mulheres terem seus filhos prematuros, enquanto você está aí, com mais de 40 semanas e seu filho não deu nem sinal de que vai nascer?

Ohhhh mulheres ansiosas! E atire a primeira pedra quem não ficou ansiosa no final da gestação!!

Sim, eu sei. Tive 3 gestações. É dificil carregar o barrigão, dói as costas, os pés incham, não há mais posição para dormir. O cansaço impera, e a vontade de carregar o bebezinho é soberana.

Então praque esperar? O doutor já disse que o bebê está pronto!

E lá se vai mais uma mulher para uma cesárea desnecessária, crente de que seu corpo tem algum “defeito de fábrica” e que portanto não iria mesmo conseguir parir. Afinal, passou da hora.

Gravidez prolongada é na verdade, aquela que passa de 42 semanas. Casos raríssimos, especialmente no nosso país onde a maioria das cesareanas são agendadas com no máximo 39 semanas de gestação.

Além disso, há muitos e muitos erros de cálculo. Eu por exemplo. Minha ultima gestação, pelas contas da ultima menstruação e pelo primeiro ultrassom, minha filha nasceu de 41 semanas e 1 dia. Pela avaliação da pediatra, nasceu  com 39 semanas e 4 dias. Ou seja, quase 2 semanas de diferença. E isso quer dizer que se eu tivesse feito uma cesarea com 38 semanas (porque afinal de contas ela já estava pronta e era um bebê grande) ela teria nascido com 36 semanas e provavelmente precisaria de uma estada na UTI neonatal por um desconforto respiratório, ou pela síndrome do pulmão úmido.

Como escreveu perfeitamente a Dra Melania Amorim em sua coluna no Guia do Bebê, “Por outro lado, mesmo gestações realmente prolongadas, datadas corretamente, com idade gestacional confirmada por ultrassonografia precoce, podem ser fisiologicamente prolongadas, porque aquele bebê, especificamente, ainda não está maduro, pronto para nascer, e portanto não se ativa a complexa cascata de eventos hormonais e bioquímicos que leva à deflagração do trabalho de parto. Esses bebês também não se beneficiam de uma política de antecipação do parto, quer por indução quer por cesariana, como ocorre aqui no Brasil, onde infelizmente “antecipar o parto” virou sinônimo de cesariana eletiva.”

Então quem somos nós, ou quem são vocês Obstetras donos da razão e semi-deuses para determinar a melhor hora para o bebê deixar o útero materno?

Dra Melania ainda complementa: “A mais recente revisão sistemática da Biblioteca Cochrane incluiu 19 ensaios clínicos randomizados (ECR) e 7984 mulheres, randomizadas para indução do parto a partir de 41 semanas ou para aguardar o trabalho de parto espontâneo. Embora tenha sido observado menor risco de morte perinatal e de aspiração de mecônio no grupo submetido à indução do parto, o risco absoluto de morte perinatal foi extremamente baixo, 0,03% vs 0,3%, respectivamente. A conclusão dos revisores é que as gestantes sejam informadas sobre risco relativo (RR=0,30, ou seja, uma redução de 70% quando se induz o parto) e risco absoluto, para que possam participar ativamente do processo de tomada de decisão. Essa discussão deve envolver prós e contras de uma conduta ativa (indução do parto) ou expectante, para que a escolha seja livre, informada e consciente.”

 

Mas no nosso país não existe escolha livre, informada e consciente. Existe um lado que manda e o outro que obedece. E isso é tão revoltante!

O governo tenta, há anos, reduzir as vergonhosas taxas de cesareanas no nosso país. Mas o processo é muito lento. O Ministério Público Federal em São Paulo entrou com ação civil pública para que a Justiça condene a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) a criar um regulamentação dos serviços obstétricos realizados por planos de saúde privados no Brasil.  Mas se as mulheres não estiverem conscientes da importância de se esperar o trabalho de parto, será mais uma ação vazia.

Então cabe a nós, mulheres nos empoderarmos e discutirmos informações baseadas em envidências científicas atualizadas com os profissionais que nos acompanham. Cabe a nós liderar a mudança no modelo de assistência obstétrica. Cabe a nós começar este movimento.

E você? Vai antecipar o nascimento do seu bebê? Vai cometer essa agressão com seu filho? Você pode escolher, ele ainda não!

Leia aqui a revisão sistemática da Cochrane:
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD004945.pub2/abstract

A versão integral pode ser consultada na BIREME:
http://cochrane.bvsalud.org/portal/php/index.php





2012 começou com tudo!!

6 01 2012

2012 vai ser um ano e tanto para a humanização do nascimento no Brasil!

Muitas coisas estão para começar, muitos encontros interessantes.

Vamos começar a divulgar então?

Em fevereiro/2012

NAOLÍ VINAVER
(diversos cursos e palestras)

Mais informações e inscrições

www.gruposamauma.com.br

Naoli é uma conhecida parteira mexicana, que combina a prática do parto tradicional com um profundo interesse e respeito pela psicologia e a fisiologia do parto.

Em abril/2012

JANET BALASKAS
(diversos cursos e palestras)

Mais informações e inscrições

www.partoativobrasil.com.br

Janet é a criadora do Conceito  Parto Ativo, autora do livro que leva o mesmo nome e participou como ativista de todo o movimento pelo Parto Ativo iniciado na Inglaterra há 30 anos atrás. Eu vou!!  E você?

Quer divulgar um evento relacionado à Humanização do Nascimento aqui?

Entre em contato: mulheresempoderadas@yahoo.com.br





Boas Festas!! :)

22 12 2011





18/12 dia da Doula

19 12 2011

Ontem foi comemorado pela primeira vez no Brasil o Dia da Doula. A comemoração é oficialmente estadual, mas vários outros estados também comemoraram.

O Jornal Bom Dia, publicou uma matéria muito bacana da querida Carla Campos sobre as Doulas: É Melhor Chamar a Doula.  Deixo aqui publicamente, em nome de todas as doulas do nosso país, meus agradecimentos à Carla e ao jornal pela execelente matéria :)

Em São Paulo, nós Doulas nos reunimos no Parque do Ibirapuera, distribuimos flores e panfletos para quem passeava pelo parque. Foi uma manhã maravilhosa! Depois fizemos um circulo, trocamos energia, palavras. Foi sentir  a união, a harmonia que havia ali entre nós.

 

Eu resolvi ser doula porque depois do parto (vba2c) tudo perdeu sentido pra mim…. tudo que eu acreditava fazer parte da minha vida.
Eu larguei emprego, carreira, salário alto e fui fazer o curso de doula. Foi um chamado. Algo muito mais …forte que eu mesma. Algo que eu ainda não entendo.

A primeira doulangem que eu fiz,  me senti como se eu já tivesse feito aquilo inumeras vezes. Como se eu já soubesse como levar conforto àquela mulher, mesmo sendo a primeira que eu estava assistindo. Parecia que aquilo já estava dentro de mim, e que era apenas um despertar. Era como se eu estivesse repetindo algo, que pelo menos nessa vida, eu nunca tinha feito. Depois do primeiro, foi impossível parar.

Sou muito grata a Deus, ao universo e a tudo e a todas as pessoas, que de certa forma me conduziram para este caminho.

Sou doula porque gosto de levar carinho, conforto e confiança para a mulher no momento mais importante da vida dela… embora a maioria nem saiba disso… :)

Eu fui petulante, a ponto de dizer: “só irei doular com médico humanizado ou com parteira. Não quero doular aqui na minha cidade”. Egoísta que fui. Dói ver o quanto eu estava mergulhada em meus próprios desejos, sem olhar para a mulher que ia parir.

Hoje entendo que as mulheres que não terão um parto humanizado, porque não tem equipe, são as que mais precisam da Doula. São as que mais precisam de alguém para ajudar a passar pela violência institucional que um parto aNormal traz. Que uma desneCesarea traz.

Doular partos lindos, com equipe humanizada, partos domiciliares são reenergizantes sim. Como é gostoso!!! Mas esses são presentes, e são regeneradores da minha energia para que eu possa ajudar àquelas mulheres que ainda não puderam ter uma equipe humanizada. Que ainda não passaram todas as barreiras e percorreram todos os caminhos do empoderamento. Essas sim, precisam do apoio de uma Doula.

As horas infindáveis longe dos meus  filhos, o peito que empedra porque fiquei horas sem amamentar a Catharina,  os quilometros intermináveis do caminho de volta para casa após 20, 30 horas de “doulagem”,  as cesáreas, os partos “frank”, nada disso me desanima. Porque hoje, sei que é minha missão :)

Dedico esse post a todas as Doulas do nosso país, do nosso planeta. Mulheres, que dedicam sua vida para levar conforto, carinho e confiança à outras Mulheres, no momento mais importante da vida: O Parto!

E você que teve uma Doula. Quer deixar um recadinho pra ela pelo dia de ontem??





Vamos proseá???

12 12 2011

É muito bom trocar experiências, tirar dúvidas, discutir sobre as mudanças que ocorrem durante a gestação!

Não está grávida ainda? Seu bebê já nasceu?

Venham mesmo assim!! Será uma noite muito especial!!

Para chegar:
Exibir mapa ampliado





Relato de Parto Natural Hospitalar (na água) – Manuela e Alice

8 12 2011

Depois de dois alarmes falsos, sempre à noite e em fins de semana, comecei a ter contrações assistindo TV no domingo à noite. Olhei pro meu marido e sorri, senti que era pra valer daquela vez. Continuamos assistindo TV despretensiosamente e ele foi marcando os tempos de cada contração. Depois de umas 6 ou 7 contrações, sempre com intervalos de 6 minutos, resolvemos ligar para nossas doulas.

Sim, tivemos duas doulas. Uma foi a Cris Balzano, com 14 anos de experiência, uma doula-quase-obstetriz, prestes a se formar, uma voz suave e o dom de transmitir paz e tranquilidade. A outra foi uma super amiga-doula, a Gisele Leal, que descobriu o mundo da humanização depois de duas cesáreas desnecessárias, teve um VBA2C (parto normal após 2 cesáreas) há pouco mais de um ano e se encantou tanto pelo assunto que virou doula e ativista logo depois. Ela me orientou durante toda minha gravidez e foi um apoio emocional importante. A combinação das duas não poderia ter sido melhor.

A Cris pediu para continuar monitorando e avisá-la da evolução dentro de uma hora, e a Gisele sugeriu tomar um banho quente para ver se as contrações espaçavam, o que indicaria um novo alarme falso. No caminho para o banheiro, que fica dois andares acima da sala de TV, vieram mais duas contrações. Elas foram apertando e no meio do banho quente, que era pra ajudar a espaçá-las, chegaram a vir a cada 2 minutos. Lembro da troca de olhares com meu marido, um pouco de frio na barriga e felicidade pela certeza que tinha chegado a hora.

Ele ligou de novo pra Cris, que resolveu ir lá pra casa me avaliar. Avisamos a Gi que o gato tinha subido no telhado, pra ela se preparar para vir. Mas foi sair do banho e os tempos entre contrações ficaram irregulares e o intervalo subiu para 10 minutos. Fiquei insegura, com um pingo de raiva e frustração, estava tão empolgada e parecia ser mais uma pegadinha! E a Cris e a Gi já estavam a caminho da nossa casa, tive vergonha de tirá-las da cama e de perto das suas famílias em pleno domingo à noite, mas eu precisava ter certeza, tirar minhas minhocas da cabeça.

A Cris chegou, auscutou o bebê e nos disse que estava muito bem. Fez um exame de toque e constatou que meu colo não tinha dilatado nadica de nada ainda. Falou que eu tinha que relaxar, dormir para guardar energias. E eu, agitada, respondi “dormir com essas dores?”, e ela disse calmamente “Sim, ter muitas contrações e não dilatar não adianta, só vai doer. Melhor relaxar para espaçar mais ainda as contrações e você conseguir dormir.” Eu continuava andando de um lado pro outro, e quando vinha a contração só encostava no armário e gritava. Falei pra ela ir pra casa dela, estava morrendo de vergonha e me sentindo uma grávida amadora atrapalhando o sono dela desnecessariamente. Ela, deitada na minha cama, falou com um sorriso tranquilo “só vou embora quando você estiver calma”. Essa frase mudou minha noite, entendi na hora o que ela queria dizer. Imediatamente deitei do lado dela e comecei a falar mais baixo. A contração seguinte demorou uns 15 minutos para vir. Aí ela foi embora.

A Gisele estava no meio do caminho de Sorocaba (onde ela mora) para São Paulo e perguntou se eu ainda queria que ela viesse, eu respondi com uma intimidade que eu só teria com uma amiga como ela: “sei lá, nunca pari na vida”. Se fosse outra pessoa, provavelmente teria dito que não precisava. Ela, sabiamente, prosseguiu até nossa casa. Foi uma das decisões mais importantes de todo o parto. A noite seria dura e a presença dela foi fundamental para nós. Meu marido arrumou o quarto de hóspedes para ela se acomodar e ela chegou uma meia hora depois.

Conversamos um pouquinho e ela foi dormir. As contrações continuaram, ela escutava meus gritos e resolveu sugerir para eu entrar na banheira e relaxar. O maridoulo e ela prepararam a banheira para mim. A Gi jogou algumas ervas para aromatizar o banho, ligou uma musiquinha suave e o marido colocou velas para deixar tudo mais aconchegante. Entrei na água e foi alívio imediato. Mas as dores aumentaram ao longo da noite, então eles ficavam me observando e abriam a água quente na hora que a contração vinha. A água quente chegava à minha cintura no auge da dor e era um santo remédio. Mas acabava a contração e eu queria sair daquela água quente, morria de calor. Tirava os braços da água, pedia pra me abanarem, até que o marido resolveu trazer o ventilador para refrescar minha cabeça. Me deram chá e eu pedi para comer tomate, a única coisa que eu tinha vontade de comer naquela hora. Tudo para me manter com energia.

O clima aconchegante do banheiro

Depois de algum tempo na banheira, eu estava com muito sono e não conseguia dormir. Pedi pra ir pra cama. Tentei algumas posições para sentir menos dor, mas eu só aguentava deitada. Então meu marido deitou na cama do meu lado, a Gi sentou na minha bola de pilates do outro lado e passamos o resto da noite assim. Vinha a contração, a Gi fazia massagem nas minhas costas e o marido colocava a bolsa de água quente no “pé” da minha barriga e ligava o contador de contrações no iPhone. Passava a dor e dormíamos os três. Sim, eu achava que era impossível, mas eu dormia profundamente entre uma contração e outra.

Dormindo entre contrações

De manhãzinha a Gi sugeriu que eu caminhasse, ou tentasse outras posições para ajudar na dilatação. Eu até tentei, mas eu só queria ficar deitada. E ainda conseguia dormir, queria aproveitar essa vantagem de estar na cama ;-)

Lá pelas 10 horas da manhã, resolveram ligar de novo pra Cris. As contrações já estavam bem fortes e regulares, de 4 em 4 minutos. A Cris chegou em casa umas 11 horas e falou sério comigo: “vou te avaliar, mas queria combinar de não te dizer quantos centímetros você está de dilatação para não te gerar frustração ou ansiedade, pode ser?”. Eu queria saber. Era muito medo de tanta dor ter sido em vão. Aí meu marido entendeu minha cara de cachorro pidão e sugeriu que ela me dissesse só se estava evoluindo bem, que eu precisaria saber. Eu ficava olhando fixamente pra ela enquanto ela me examinava, pra ver se eu percebia alguma expressão que significasse algo. Ela só disse “acho melhor já irmos pro hospital”. Foi suficiente, eu não precisava saber mais nada. Chorei. Chorei de soluçar. Chorei porque a gravidez tinha chegado ao seu fim, porque estava chegando a hora de virar mãe, porque eu vi que estava dando tudo certo. Alívio, alegria, tudo junto. Emoção pura.

Depois ouvi a Cris falando ao telefone com a Dra. Andrea (a obstetra) que eu estava com 6-7cm de dilatação. Era muito bom, eu estava realmente muito feliz de ver tudo caminhando naturalmente e dando certo.

Eu tinha muito medo de como seria o caminho pro hospital. Por sorte era uma segunda-feira enforcada de feriado prolongado e não tinha trânsito na cidade. Chegamos em duas contrações.

Na recepção do hospital, a Gisele avisou que eu estava em trabalho de parto, a moça pediu gentilmente que eu esperasse na sala de espera. Eu pedi para já entrar na salinha de triagem e avisei “eu estou gritando de dor, moça, e vou gritar de novo daqui a um minuto”. Ela me olhou assustada mas não sabia o que fazer e me pediu para esperar. Procurei o primeiro sofá, deitei e gritei, sem cerimônia. Virei atração, todo mundo olhava. O segurança chegou rapidinho com uma cadeira de rodas e me pediu pra sentar nela. A Gi, furiosa, respondeu: “agora espera, né? Ela está no meio de uma contração!”.

Acabando a contração entrei para a avaliação. A Cris já tinha chegado e avisou para a enfermeira que já tinha me examinado, etc, etc. Só tive que passar pela avaliação da contração, pressão e cardiotoco. Aí subimos pra suíte, era a da banheira grande. Fiquei feliz porque tudo o que eu queria naquela altura do campeonato era entrar na água quente. Entrei rapidinho. O marido perguntou se eu queria que ele entrasse e eu respondi “sei lá, você que sabe, eu não sei de mais nada”.

E acho que a partir dali eu fui pra outra dimensão. Ficava com os olhos sempre fechados, não falava com ninguém, não olhava pra ninguém. Às vezes alguém me sugeria uma nova posição e eu só balançava a cabeça com um “não, me deixe em paz”. Era meu mundo, minha dor, meu parto, meus limites. Seria do meu jeito, por mais estranho que fosse. Meu marido entrou na banheira e não saiu mais. Me apoiava, me carregava, massageava minhas costas, respirava comigo, e entendeu rapidinho que eu já não queria pitacos, ficava em silêncio respeitando meu momento, e criou uma barreira entre o mundo e nós dois.

No nosso mundinho

Como não podia deixar de ser, a dor continuou aumentando. A Dra. Andrea resolveu me examinar e falou que faltava só um centímetro de dilatação e que, se eu empurrasse, poderia ajudar nesse finalzinho. A bolsa ainda estava íntegra e uma das possibilidades era rompê-la caso esse centímetro insistisse em não dilatar. Eu tinha medo de fazer força e doer mais. E a Cris me falou “esse é o máximo da dor que você vai sentir, não vai mais piorar, só aliviar”. Tomei coragem e comecei a fazer força. Pouco tempo depois a bolsa estourou e vi que o líquido estava clarinho, fiquei aliviada. Mais um sinal de que tudo estava caminhando bem. Mas, ao contrário do que a Cris tinha falado, a dor no sacro começou a piorar.

Eu achava que a Alice ia quebrar o osso sacro no meio e sair pelas costas. Doía muito, mesmo. Eu tenho certeza que o sacro saiu do lugar (senti dor até uns dois dias depois, quando ouvi um “crec” e a dor sumiu). Era uma dor que eu não esperava, não entendia, eu não conseguia perceber ou sentir que era a cabecinha da Alice buscando passagem. A contração vinha e a dor no colo realmente era bem menor mas, de repente, eu sentia a pressão no sacro e me desesperava. Lembro de me debater na água, dar piti, mesmo. Eu não estava preparada para AQUELA dor. Pensei em pedir anestesia, mas eu já estava com 9 centímetros! Só uma doida para pedir anestesia agora. Eu falei que não ia aguentar, pedi ajuda, choraminguei, falei que estava muito cansada, que não ia conseguir. E não via a luz no fim do túnel, e o tempo não passava. Vi a Cris e xinguei, coitada: “você falou que não ia piorar a dor!”. E a Dra. Andrea insistia que eu tinha que empurrar, que só assim a Alice nasceria, só assim a dor diminuiria. Imagina fazer força sabendo que vai doer mais? Foi uma fase difícil, bem difícil. Mas eu continuava dormindo entre uma contração e outra.

Como eu não queria sair da água, colocaram a banqueta de parto dentro da banheira para eu me sentar, para me ajudar a fazer força. Sentei toda torta nela, ficavam tentando me ensinar a usar, a segurar, eu não queria saber, fazia do meu jeito. Ninguém sabia a dor exata que eu estava sentindo, achei que eu era a melhor pessoa para decidir o que fazer, ou talvez eu tenha feito o que eu conseguia fazer naquela hora.

Em uma das vezes que eu fiz força eu senti meu períneo. Abri os olhos imediatamente, arregalados. Minha consciência corporal se recuperou instantaneamente. Entendi tudo. E disse para meu marido “ela está aqui”. A sensação do círculo de fogo era maravilhosa. Doía, é verdade. Doía muito, mas muito mais do que nos meus treinos com o Epi-No. Eu achava que ia rasgar. Mas era uma dor deliciosa, dava vontade de empurrar porque eu entendia que era a Alice quase saindo. E assim o medo sumiu, e a dor virou secundária de novo.

"Ela está aqui!"

Tive que descer da banqueta para prosseguir. Em um empurrão a cabeça dela saiu. Eu olhei e pensei: “ela é cabeluda! E o cabelo é escuro”, mas não conseguia tocá-la. Até sugeriram que eu pegasse nela, pra me dar força, mas eu não queria. Eu tinha uma questão pra resolver antes, e queria resolver sozinha. Meu marido se empolgou e falou que ia fazer força junto comigo na contração seguinte. E no segundo empurrão ela nasceu.

Foi direto pro meu peito, toda encolhidinha, fazendo barulhinhos, se aconchegando. Nas minhas costas sentia o peito do meu marido soluçando e falando como ela era linda, que era a nossa filha. Foi um momento mágico, não conseguia tirar os olhos dela, não conseguia falar nada, só ficar admirando e sentindo a nova família que tinha acabado de se formar.

Momento mágico

Ficamos ali, na banheira, curtindo o momento, por uns 15 minutos. O Dr. Douglas, pediatra, cobriu a Alice com uma fraldinha que ele ficava molhando com a água da banheira pra ela ficar quentinha. E mostrava tudo pra gente enquanto avaliava a saúde da pequena: “olhem como ela está fortinha, sintam o cordão pulsando, vejam a respiração…”.

Subi na maca com a Alice no colo e fui levada para o quarto, na sala de parto. O cordão ainda pulsou forte por uma hora, eu calculo. Algum líquido amniótico ainda estava sendo eliminado dos pulmõezinhos dela e ela precisava da ajuda da placenta para receber oxigênio. Normalmente ela teria passado por uma aspiração pulmonar para tirar todo o líquido, mas como é um procedimento que pode machucar e assustar o bebê, o médico só observava e limpava cada gotinha que saía. Quando ela começou a pedir para mamar, o Dr. Douglas comemorou e pouco depois clampeou o cordão. Meu marido cortou e nos disse “agora vocês são duas”.

Olha a cara de pai babão

Eliminei a placenta com algum incômodo e recebi a linda notícia de que meu períneo estava íntegro, nem um arranhão. Lembro que me perguntaram se eu estava me sentindo bem e eu respondi, animada: “poderia jogar uma partida de vôlei”. Incrível como estava bem disposta, alerta e feliz. Foi quando perguntei a hora que ela tinha nascido e me disseram “14:37h” e eu duvidei. Jurava que já eram umas 9h da noite, que tinha sido um trabalho de parto longo, demorado. Mas foi rápido, fácil, eu que perdi a noção de tempo, mesmo.

O pediatra então convidou o meu marido a acompanhá-lo em alguns procedimentos. Meu marido pegou a Alice no colo pela primeira vez e a levou para um bercinho aquecido, onde o Dr. Douglas o orientava a como segurá-la, como fazer para aquecê-la e fazê-la se sentir segura enquanto era examinada. Comemoramos os 3,660kg e ela voltou para o meu peito, que delícia.

Ela foi avaliada com todo o cuidado e carinho do mundo

Como ainda saía um pouco de líquido do narizinho dela, o pediatra foi nos tranquilizar: “ela está bem, é normal ainda demorar algumas horas para todo o líquido sair e ela respirar direitinho. Vamos esperar e observar mais um pouco”, e sentou no sofá ao nosso lado. Foi uma cena que me marcou e resume bem a postura que vimos em toda a equipe: respeito, responsabilidade e dedicação. Respeito à individualidade, ao tempo de cada um, aos limites que todos temos. Responsabilidade pela saúde e pelas vidas envolvidas. Mas nada disso teria um resultado tão fantástico se não houvesse uma real dedicação de tempo e amor pelo que fazem.

Como a Alice estava respirando cada vez melhor e já estava mamando bem, o Dr. Douglas se despediu e nós ainda ficamos na sala de parto umas duas horas curtindo. Eu precisava tomar um banho e dormir um pouco, então chamamos a enfermeira para nos transferir para o apartamento. Ela colocou a pulseirinha de identificação na Alice, e foi aí que ela chorou pela primeira vez. Deve ter ficado com saudades da equipe humanizada…

A equipe - MUITO obrigada!








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